Na segunda reportagem da série Educação na Floresta, uma parceria do Governo do Amazonas com a Fundação Amazônia Sustentável mudou a vida de muita gente. Na Reserva Mamirauá, 47 ribeirinhos de 9 comunidades concluíram com muito esforço, uma formação profissional planejada para eles, um curso único no Brasil. Durante três dias, os repórteres Nathália Freire e Kleber Moraes, acompanharam a festa de formatura dessa turma. E também, a luta de quem vive no meio da Floresta Amazônica, em uma Reserva protegida por lei. É a segunda reportagem da série de cinco matérias sobre o poder da educação em lugares como Mamirauá, a maior unidade de conservação de terras de várzeas do país.
Nossa equipe chegou na Boca do Mamirauá, onde em 1983 um biólogo, José Marcio Ayres, que estudava o macaco Acari deu início a luta pela proteção legal da área. Hoje, vivem pouco mais de 20 famílias nessa comunidade que ainda não conta com rede elétrica e utiliza água da chuva para consumo.
Seu Ari é um dos primeiros moradores, veio com a família para Mamirauá ainda garoto antes da unidade de conservação ser criada, como muitos, fugindo das dificuldades impostas pela natureza. “Já estava faltando madeira, faltando os peixes para seus alimentos e muitos foram mesmo, até procurar algumas cidade pra morar”, disse Seu Ari.
“E a questão climática? O senhor estava me falando que lá onde o senhor morava, foi um que saiu. O rio estava seco, o acesso já estava difícil?”, pergunta a repórter Nathália. “Esse acesso já não tinha mais como lidar e dar acesso para passar lá que um rio, o rio fechou, ele foi coberto por alguns vegetais, algumas matas, aí eu tive que mudar, muito difícil pra chegar até onde encontrava o barco. Ari conta que naquela época a floresta facilmente saqueada. Eles vinham com um barco tão grande, de barco que pega muitas toneladas, chegavam em áreas onde as pessoas estavam morando, levava sem ter comunicação com eles e levava tonelada de tudo, não só de peixe com outras tipo de carne. Saíam atirando nos lagos, levando as guaribas, até mesmo jacaré. Levavam muito jacaré que era para usar o couro para fazer outros tipos de materiais”, contou Seu Ari.
Na canoa, Dona Nilce, pescadora desde criança, é uma legítima guardiã da Reserva. Ela exibe orgulhosa a camisa com a foto do pai Joaquim e de Marcio Ayres, com quem aprendeu a respeitar essas terras. “Meu esposo diz que ainda vou pegar umas pauladas de gente lá fora, porque às vezes eu chego lá com junto com a pessoa e falo que aquela área é proibida, só nós que vivemos aqui que tem direito a pescar, agora outras pessoas não têm. Nós estamos guardando é pra isso, é para nós, para nossos filhos, nossos netos, que precisa”, desabafa Dona Nilce.
No terceiro episódio da série Educação na Floresta, nossa equipe mostra a luta para sobreviver na floresta alagada. Quem vive nessas regiões precisa aprender a conviver com o regime dos rios. “A floresta é boa para a gente quando está seco, quando está cheio é bom também, mas fica difícil um pouco, porque a gente fica preocupado. Se a água vir grande, a gente tem que trabalhar na nossa casa, suspender as coisas que tem, alaga tudo. Pode ver onde a água bateu no ano passado esse ano, esse ano já está subindo, aí já está pensando nas nossas coisas, como que você vai suspender de novo”, conta dona Nilce.
Nossa equipe foi também até uma comunidade que fica no Alto Punã. Com ajuda da Fundação Amazonas Sustentável – FAS, e de patrocinadores, tem uma infraestrutura incomum para o interior do Amazonas, conta com Internet inclusive. É nessa comunidade que 46 alunos de 9 comunidade de Mamirauá, receberam o diploma de técnico em Gestão de Desenvolvimento Sustentável. Realizar esse curso foi um verdadeiro desafio para FAS e o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas – CETAM.

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