Texto: Welder Alves
Reportagem: Wesley Lira
Faltando menos de uma semana para o início do Festival Folclórico de Parintins, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) entrou com uma ação judicial para impedir a formação antecipada de filas nas arquibancadas do Bumbódromo, destinadas às torcidas conhecidas como galeras dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso. A medida busca combater a venda ilegal de espaços, prática que se tornou recorrente nos últimos anos.
A cena já é conhecida: dias antes do início da festa, torcedores começam a montar estruturas improvisadas com caixas, cordas e outros objetos para garantir um bom lugar. No entanto, nem todos esses “acampamentos” são autênticos. Denúncias recebidas pelo MP revelam que muitos desses espaços estão sendo negociados ilegalmente por até R$ 300, transformando o que deveria ser gratuito em comércio irregular.
Em resposta, o MP, a Prefeitura de Parintins e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas assinaram um termo de ajustamento que estabelece novas regras para o acesso ao Bumbódromo. A principal mudança é que só será permitido formar fila a partir das 10h da manhã do primeiro dia do evento, que neste ano começa no próximo dia 27. Qualquer tentativa de reserva de espaço anterior a essa data será considerada irregular.
“O objetivo é democratizar o acesso à arena. Não será permitido nenhum tipo de marcação ou reserva prévia, nem com objetos como caixas ou chinelos. Haverá fiscalização e, se necessário, apreensão desses materiais”, afirmou o promotor de Justiça Ney Alcântara.
Nos últimos anos, além da comercialização clandestina de lugares, foram registrados casos de agressões e tumultos entre pessoas que disputavam centímetros de espaço nas filas antecipadas. Na última quinta-feira (19), duas mulheres se envolveram em uma briga, registrada em vídeo e amplamente divulgada nas redes sociais.
Com apoio das forças de segurança, a Secretaria de Cultura e a organização do festival irão intensificar a fiscalização nas áreas do entorno do Bumbódromo. Rondas diárias devem ser realizadas até o início oficial do evento.
“Queremos garantir que todos tenham direito de participar de forma segura e justa. Não é razoável que alguns vendam um espaço que é público, gerando confusão e colocando em risco a integridade das pessoas que vêm para prestigiar a cultura do Amazonas”, completou o promotor.
O acesso à arquibancada das galeras é gratuito para todos os públicos. A medida do Ministério Público visa assegurar que esse direito seja respeitado e que o Festival de Parintins continue sendo um espaço de celebração popular, sem privilégios ou distorções causadas por interesses particulares.




