A indústria da beleza vive uma transformação. Cada vez mais consumidores buscam cosméticos naturais, veganos e livres de químicos agressivos — um mercado que movimentou mais de US$ 31 bilhões em 2024 e deve continuar crescendo nos próximos anos.
Nesse cenário, a Amazônia desponta como potência estratégica. A região concentra uma das maiores biodiversidades do planeta, com óleos, sementes e frutos capazes de gerar produtos de alto valor agregado para a cosmética natural. Além do apelo ambiental, há um forte componente social: comunidades ribeirinhas, indígenas e coletivos de mulheres tornam-se protagonistas da bioeconomia amazônica, unindo inovação, preservação da floresta e valorização cultural.
Um exemplo é o Projeto Ybá, em Breu Branco (PA). A iniciativa, cujo nome em Tupi-Guarani significa “árvore” ou “fruto”, alia ciência, comunidade e floresta para gerar renda sustentável e reduzir o desmatamento. Foram identificadas 17 espécies de interesse comercial em 38 mil hectares de biodiversidade. As comunidades locais, em sua maioria lideradas por mulheres, receberam capacitação para manejo sustentável e comercialização dos bioativos. O projeto também incentiva a criação de abelhas nativas sem ferrão, ampliando as oportunidades da bioeconomia.
Empresas nacionais, multinacionais e startups já investem nesse potencial. Ingredientes como andiroba, cupuaçu, buriti e castanha-do-Brasil se transformam em óleos, manteigas e extratos que abastecem tanto o mercado interno quanto exportações para a América do Norte, Ásia e Europa.
Esses exemplos mostram que a floresta em pé pode ser sinônimo de inovação, riqueza e impacto global. O futuro aponta para uma indústria da beleza cada vez mais verde, inclusiva e conectada com a natureza — e a Amazônia tem tudo para se consolidar como um dos polos internacionais desse movimento.
✍️ Por Elis Marinheiro



