Quando o mundo voltou seus olhos para a Amazônia, a Comunicação Pública do Amazonas decidiu estar presente onde as decisões eram tomadas — não apenas para noticiar, mas para compreender, traduzir e conectar o que se discutia nos pavilhões da COP30 ao cotidiano de quem vive debaixo da copa das florestas e sobre as águas dos rios.
Entre os dias 4 e 22 de novembro, ao longo de 18 dias de cobertura ininterrupta, o Sistema de Comunicação Pública do Amazonas realizou uma das maiores operações jornalísticas de sua história fora do Estado. Ao todo, foram mais de 160 entradas ao vivo, distribuídas entre a TV e a Rádio Encontro das Águas e a TV Brasil, sendo mais de 50 participações em rede nacional, ampliando a visibilidade da Amazônia e de suas pautas para todo o país.
A cobertura resultou ainda em mais de 30 VTs, stand-ups jornalísticos — trechos gravados com o repórter em cena — e reportagens especiais, além de 20 editoriais e análises jornalísticas. Os conteúdos foram compartilhados com a TV Brasil, o Canal Rural e a TV Cultura do Pará, ampliando a circulação de informações produzidas sob a perspectiva amazônica. Esses números dimensionam a presença estratégica da Comunicação Pública do Amazonas na Cúpula do Clima e na COP30, mas, acima de tudo, evidenciam um compromisso institucional: traduzir, de forma clara, didática e contextualizada, um evento complexo e decisivo para o futuro da Amazônia e de seus povos.

Comunicação pública como estratégia de Estado
Em um cenário global no qual a Amazônia ocupa o centro do debate climático, a cobertura da COP30 foi tratada como prioridade institucional em 2025 por decisão do presidente do Sistema Encontro das Águas, Oswaldo Lopes. Para ele, a Comunicação Pública precisa ir além da cobertura factual e assumir seu papel de mediadora entre decisões globais e realidades locais, valorizando o olhar de dentro do território e garantindo que a população amazonense compreenda, com precisão, o que está em jogo.
“Este foi mais um grande feito da Comunicação Pública do Amazonas. Hoje, a TV Encontro das Águas chega a 55 municípios e caminha para alcançar 100% do território; a rádio está presente em 24 municípios, falando diretamente com mais de 48 localidades; e, por meio do aplicativo e do portal, temos alcance mundial. Essa presença massiva é fundamental para levar informação de qualidade ao homem e à mulher do interior — que trabalham a terra, o pescado e o artesanato — para que reconheçam seu valor como guardiões da Amazônia e saibam que têm direito a melhores condições de vida. Mostrar o Amazonas sem estereótipos, a partir do nosso próprio olhar, revela a grandiosidade da Comunicação Pública do Estado para o Brasil e para o mundo”, afirma Oswaldo Lopes.

O Amazonas como solução climática
A COP30 não é apenas um encontro de chefes de Estado e delegações diplomáticas. É um tabuleiro decisivo onde se negociam recursos, metas e compromissos que atingem diretamente territórios como o Amazonas. Por isso, acompanhar a participação do Governo do Amazonas foi parte central da nossa cobertura.
Em Belém, o governador Wilson Lima apresentou ao mundo políticas públicas e soluções concretas para o enfrentamento das mudanças climáticas. Com mais de 97% de cobertura vegetal preservada, o Estado reforçou sua posição como referência internacional em conservação ambiental aliada ao desenvolvimento sustentável — e, ao mesmo tempo, defendeu que manter a floresta em pé exige financiamento adequado, apoio às economias locais e valorização das comunidades que sustentam esse equilíbrio.
Ao longo da cobertura, destacamos iniciativas de bioeconomia, pagamento por serviços ambientais, REDD+, agricultura de baixo carbono, inovação tecnológica, ciência aplicada e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis conduzidas por povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais. Traduzir esse debate para o público foi essencial para conectar decisões globais à realidade de quem vive da floresta e depende dela para garantir renda, segurança alimentar e qualidade de vida.
Presença em rede nacional e integração com a EBC
Além da produção própria, os profissionais do Sistema Encontro das Águas integraram a cobertura oficial da COP30 ao lado da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, com participações constantes na TV Brasil, na Rádio Nacional e na Agência Brasil. Os conteúdos também foram compartilhados com o Canal Rural e a TV Cultura do Pará, ampliando o alcance da perspectiva amazônica para todo o país.
A equipe permaneceu em Belém desde a Cúpula do Clima até o último dia da Conferência das Partes, atuando nas Blue Zone, Green Zone e AgriZone. Isso significou acompanhar negociações diplomáticas, manifestações da sociedade civil, painéis científicos e apresentações de soluções ambientais, mantendo uma rotina intensa de reportagens, links ao vivo, produção de textos, gravações e entregas multiplataforma.
Coordenação, experiência e trabalho em equipe
A cobertura foi coordenada por mim, Welder Alves, gerente de projetos especiais do Sistema Encontro das Águas, com mais de 20 anos de experiência em rádio, internet e televisão. Em um evento dessa magnitude, tão complexo quanto decisivo, coordenação é tão importante quanto conteúdo: organizar equipes, fluxos de produção, logística e prioridades editoriais foi parte fundamental para manter a qualidade e a consistência de uma cobertura diária, ao vivo, em múltiplos pontos e para diferentes veículos.
“Participar da COP30 foi uma oportunidade única. Trabalhar em um evento com mais de três mil jornalistas de todas as partes do mundo nos permitiu entender como a conferência funciona por dentro e, principalmente, traduzir isso para o público. Nosso papel foi mostrar como as decisões são construídas e de que forma elas impactam o dia a dia das pessoas, especialmente no Amazonas”, afirmo.
Sob minha coordenação, a equipe contou com os cinegrafistas Said Hossary e Anderson Luiz, os repórteres Beatriz Ferro e Wesley Lira, além da produção de Lane Guimarães. Foi um time que atuou com disciplina, criatividade e senso de missão pública, enfrentando grandes deslocamentos, mudanças de agenda, desafios técnicos e a intensidade diária de um evento global.
Para a repórter Beatriz Ferro, a experiência marcou uma virada profissional. “Depois de quatro anos atuando nos bastidores, voltar à reportagem em um evento dessa dimensão foi extremamente enriquecedor. Participei de grandes coletivas com chefes de Estado e embaixadores e tive a oportunidade de entrar ao vivo em rede nacional. Foi um aprendizado diário que vai marcar minha carreira”, relata.
Já o repórter Wesley Lira comparou a cobertura a um momento decisivo. “Encarei a COP30 como um jogador convocado para uma Copa do Mundo. Sabíamos da importância do evento e demos o máximo para levar o melhor conteúdo ao público. Com uma equipe bem gerenciada pelo presidente Oswaldo Lopes e pelo Welder Alves, realizamos uma cobertura diversa, qualificada e exibida em rede nacional”, destaca.
Para a apresentadora do programa Agro Amazonas, escalada para a cobertura da COP30, Michele Moraes, a experiência foi decisiva para aproximar realidades locais de debates globais. “Foi uma experiência que me permitiu conectar a realidade dos produtores rurais do Amazonas às principais inovações globais apresentadas na COP30. Entender como as novas tecnologias na agricultura podem contribuir diretamente para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas reforça a importância dessa pauta para quem vive da terra e sustenta cadeias produtivas sustentáveis no Estado”, afirma.
A engrenagem que sustentou a intensidade da cobertura teve na produção um de seus pilares centrais. Atuando nas Blue Zone, Green Zone e AgriZone, a produtora Lane Guimarães foi responsável por articular pautas, agendas, fontes, logística e fluxos de pré, produção e pós-produção, garantindo que a equipe estivesse sempre pronta para responder ao ritmo acelerado da COP30. “Foi uma honra integrar, como produtora da TV Encontro das Águas, a equipe de cobertura jornalística da COP30, em parceria com a TV Brasil. Juntos, entregamos centenas de matérias e entradas ao vivo de jornalismo ambiental, alcançando milhões de pessoas e elevando o debate climático com uma paixão coletiva que nos moveu do primeiro ao último dia”, afirma Lane.
Experiência ambiental e leitura estratégica
A COP é um ambiente onde cada frase importa, cada termo carrega implicações e cada documento pode redefinir metas e financiamentos. Ter leitura estratégica e experiência acumulada faz diferença. Por isso, o presidente Oswaldo Lopes convidou o jornalista Antônio Ximenes, que já participou de outras sete Conferências do Clima, para atuar como comentarista e correspondente.
“Ter participado da equipe do Sistema como comentarista e correspondente na COP30, em Belém, foi um dos momentos mais felizes da minha trajetória de 42 anos de jornalismo. Já participei de várias COPs, mas a COP30 representou o ponto mais alto. Ali estava uma equipe da Amazônia, com uma visão estratégica de Oswaldo Lopes. Conseguimos mostrar ao Brasil e ao mundo que o Sistema Encontro das Águas é hoje uma referência global quando o assunto é Amazônia, meio ambiente e povos originários”, afirma Ximenes.
Informar para transformar
No fim, a COP30 deixa claro que o futuro do clima não é um tema distante. Ele se traduz em enchentes e secas mais extremas, em mudanças no regime das águas, na segurança alimentar, no custo de vida, no acesso a políticas e recursos para adaptação. Para o Amazonas, isso é ainda mais sensível: somos um Estado que protege a maior parte de seu território e, por isso, precisa ser reconhecido não apenas como paisagem, mas como potência ambiental e humana.
Ao final da COP30, a cobertura da TV e Rádio Encontro das Águas reafirmou o papel da Comunicação Pública como ponte entre decisões globais e realidades locais. Mais do que noticiar, a missão foi traduzir, contextualizar e dar sentido a um evento complexo, garantindo que o povo do Amazonas compreenda seu valor, seus direitos e seu papel central na preservação do maior bioma tropical do planeta.
A COP30 terminou. O compromisso da Comunicação Pública do Amazonas permanece — levando informação de qualidade ao interior, valorizando o território e mostrando o Estado a partir do olhar de quem vive nele, para o Brasil e para o mundo.
Por Welder Alves
Jornalista | Gerente de Projetos Especiais – Sistema Encontro das Águas



