Familiares e amigos estiveram presentes na desatracação do Navio, no cais da Estação Naval do Rio Negro. (Fotos: Marinheiro Rocha)

A Marinha do Brasil deu início à 26ª edição da Operação “Acre”, uma das mais tradicionais ações de assistência hospitalar na Região Amazônica. O Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Doutor Montenegro” partiu de Manaus para uma missão de quatro meses, com o objetivo de levar atendimento médico e odontológico a comunidades ribeirinhas e indígenas dos estados do Amazonas e do Acre.

Antes da partida, o cenário foi marcado por abraços apertados, gestos de despedida e muita emoção entre militares e familiares. Para quem fica em terra firme, a saudade é inevitável. Para quem embarca, o compromisso é claro: levar saúde e cuidado a populações que vivem em áreas de difícil acesso.

Durante a missão, o navio vai percorrer o Rio Juruá e atender mais de dez cidades e comunidades isoladas. A expectativa é beneficiar entre 15 e 20 mil pessoas até o encerramento da operação, previsto para o dia 19 de maio.

Hospital flutuante

O NAsH “Doutor Montenegro” funciona como um verdadeiro hospital flutuante. A embarcação conta com consultórios médicos e odontológicos, laboratório, sala de trauma, enfermaria, farmácia e salas equipadas com mamógrafo e aparelho de raios X. Para alcançar localidades de acesso limitado, o navio também opera com comunicações via satélite e quatro lanchas auxiliares.

Ao todo, 82 militares participam da missão, sendo 19 profissionais da área da saúde, entre médicos, dentistas, farmacêutico e técnicos especializados. O comandante do navio, Capitão de Corveta Marcelo Camerino da Silva de Souza, destacou o papel social da operação e o desafio da distância da família:

“É um grande desafio ficar quatro meses longe da família, mas, com união e fé dos tripulantes e sabendo que têm nas famílias um porto seguro na cidade de Manaus, todos terão motivação e combustível para cumprir essa missão com empenho e com afinco.”

Parcerias e prevenção

A Operação “Acre” é realizada em parceria com o Ministério da Saúde e, pelo segundo ano consecutivo, conta com a atuação da organização não governamental Américas Amigas, responsável pela análise dos exames de mamografia realizados a bordo. A iniciativa amplia o diagnóstico precoce do câncer de mama entre as populações atendidas.

Segundo o comandante, o trabalho também recebe apoio por meio da telemedicina:

“Mais uma vez contamos com o apoio da ONG ‘Américas Amigas’, que providencia com agilidade os laudos dos exames de mamografia realizados a bordo do Navio. Além disso, teremos o apoio por telemedicina de profissionais do Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas. É um grande esforço mútuo para levar assistência hospitalar e odontológica para a população do Vale do Juruá.”

Além dos atendimentos clínicos, a operação também atua na prevenção, com palestras educativas, orientações em saúde e distribuição gratuita de medicamentos. Militares de outras organizações subordinadas ao Comando do 9º Distrito Naval reforçam a força-tarefa, que tem como foco a promoção da cidadania e a integração nacional na Amazônia.

História e legado

Mais do que uma embarcação, o NAsH “Doutor Montenegro” carrega uma história profundamente ligada à Amazônia. Construído em Manaus e concluído em 1997, o então Hospital Fluvial Dr. Manoel Braga Montenegro foi incorporado à Marinha em 2000, após articulação entre o Ministério da Saúde, o Governo do Acre e a Força Naval.

O nome do navio homenageia Manoel Braga Montenegro, médico acreano reconhecido pela dedicação ao atendimento humanizado da população do interior. Um legado que segue vivo a cada missão, levando saúde a regiões onde o acesso ainda depende do curso dos rios.

Com informações do repórter João Paulo Oliveria e Agência Marinha de Notícias

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