O último sábado da Oficina de Escrita Criativa do Sistema Encontro das Águas terminou com uma sensação comum entre os participantes: a de que aprender a escrever melhor também é aprender a enxergar melhor o mundo ao redor.
Ao longo do quarto encontro, profissionais da comunicação e estudantes mergulharam em temas essenciais para o dia a dia do jornalismo — desde regras gramaticais e estrutura de texto até o uso da inteligência artificial na produção de conteúdos para diferentes plataformas.
Mais do que teoria, a oficina buscou provocar reflexão. Como escrever com clareza? Como evitar vícios de linguagem? E, principalmente, como usar a tecnologia sem abrir mão do olhar crítico?
Idealizado pelo diretor-presidente do Sistema de Comunicação Pública do Amazonas, Oswaldo Lopes, o projeto integra a Escola Encontro das Águas e tem como proposta ampliar o acesso ao conhecimento técnico produzido dentro do próprio sistema público de comunicação. A iniciativa é conduzida por Welder Alves, Caio Fonseca e Ibrahim Ossame.
Mesmo à distância, Oswaldo Lopes fez questão de participar do encerramento. Em uma fala direta aos alunos, reforçou o papel histórico da comunicação pública na formação de profissionais no Amazonas.
“A comunicação pública sempre foi uma escola. Ao longo de mais de meio século, ajudou a formar gerações de profissionais do audiovisual amazônico. Esse projeto dá continuidade a essa missão e fortalece esse momento que estamos vivendo, de expansão e consolidação do sistema”, afirmou.
Ele também destacou que a iniciativa vai além da capacitação técnica.
“É uma forma de devolver conhecimento à sociedade, especialmente à academia, e também de identificar novos talentos.”
Aprender fazendo — e aplicando
Para muitos participantes, o impacto da oficina já começou a aparecer na prática.
O repórter Wesley Lira conta que passou a enxergar o próprio trabalho de outra forma:
“As oficinas começaram a surtir efeito. As matérias que tenho feito, já estou tentando aplicar as técnicas. Isso muda tudo. É outra visão, outro jeito de encarar a pauta.”
A jornalista Maria Derzi também destacou o contato com novas ferramentas:
“Foi muito esclarecedora, principalmente sobre inteligência artificial, que ainda estou aprendendo a usar.”
Entre os participantes, o sentimento geral foi de que o conteúdo apresentado dialoga diretamente com os desafios atuais da profissão — especialmente em um cenário em que tecnologia e produção de conteúdo caminham cada vez mais juntas.
Compartilhar conhecimento como prática institucional
Para Welder Alves, gerente do projeto, a proposta da oficina vai além da capacitação pontual.
“A gente tem dentro do Sistema profissionais com muita experiência acumulada. Compartilhar esse conhecimento é uma responsabilidade. E mais do que isso: é uma forma de fortalecer a comunicação pública e preparar melhor quem já está atuando e quem está chegando.”
A troca entre profissionais experientes e novos talentos foi, segundo ele, um dos pilares da iniciativa.
Uma iniciativa que aponta para o futuro
Os depoimentos ao final do ciclo reforçam a percepção de que a oficina não foi apenas mais um curso, mas uma experiência formativa com impacto real.
“Esses quatro sábados foram essenciais para o nosso aprimoramento profissional”, avaliou Narel Desirre.
Já Adriano Augusto resumiu o sentimento coletivo:
“Uma iniciativa que trouxe muito conhecimento para todos. Agora é esperar as próximas.”
Mais do que técnica, um olhar
Em um momento em que a produção de conteúdo é cada vez mais acelerada — e, muitas vezes, superficial — iniciativas como a Oficina de Escrita Criativa apontam para uma direção oposta: a valorização do pensamento, da técnica e da responsabilidade sobre o que se produz.
O desafio agora não é apenas repetir a experiência, mas garantir que o conhecimento compartilhado continue gerando impacto real no jornalismo praticado diariamente dentro e fora do Sistema Encontro das Águas.



