Evento integra preparativos para a COP30 e reforça protagonismo da região nas soluções sustentáveis para o planeta. (Fotos: Diego Peres/Secom)
Tecnologia, saberes ancestrais e empreendedorismo na Amazônia. Manaus se tornou palco de um dos principais encontros globais sobre bioeconomia. A segunda edição do Bioeconomy Amazon Summit (BAS) reuniu empreendedores, pesquisadores, lideranças indígenas, investidores e autoridades no Centro de Convenções Vasco Vasques, nos dias 30 e 31 de julho.

Promovido pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil e pela gestora de venture capital KPTL, o evento reforça o papel estratégico da Amazônia nas discussões sobre clima, desenvolvimento sustentável e inclusão produtiva. A programação conta com painéis temáticos, rodadas de investimento, feira com 150 startups da região e exposição de produtos da sociobiodiversidade.

Durante a abertura oficial, o governador Wilson Lima destacou a bioeconomia como eixo central para o futuro do Estado.

“Nós, como líderes e parceiros, precisamos fazer com que esse valor chegue a quem mais precisa. O que vemos aqui demonstra o que já está sendo feito e o que pode ser ampliado”, afirmou o governador.

De acordo com o governo estadual, mais de R$ 730 milhões foram investidos entre 2019 e 2024 em ciência, tecnologia e inovação. Desse total, R$ 33 milhões foram destinados diretamente à bioeconomia, financiando mais de 250 projetos em diferentes regiões do Amazonas.

A participação do Estado no BAS 2025 vem sendo articulada desde o ano passado, com apoio estratégico da Representação do Governo do Amazonas em São Paulo (ERGSP).

O evento também marca a consolidação do Plano Estadual de Bioeconomia, coordenado pela Sedecti e em fase de escuta pública nos 62 municípios amazonenses. O plano será apresentado na COP30, em novembro, em Belém (PA), com propostas alinhadas às especificidades territoriais da região.

Além das ações do governo, o BAS é um espaço para apresentar soluções desenvolvidas por startups amazônicas. Nos estandes, o público pode conhecer iniciativas como alimentos funcionais criados com ingredientes da floresta, tecnologias de monitoramento ambiental, cosméticos naturais e experiências sensoriais baseadas na biodiversidade regional.

Entre os empreendedores, a percepção é de que a Amazônia pode — e deve — liderar modelos econômicos sustentáveis que valorizem seus saberes, recursos e populações. Modelos consolidados, como a Zona Franca de Manaus, também foram lembrados. O polo industrial contribui para a manutenção de 97% da cobertura florestal do estado. Outros marcos destacados foram o programa Guardiões da Floresta, que beneficia mais de 8 mil famílias em 28 unidades de conservação, e a Escola da Floresta, inaugurada em São Sebastião do Uatumã.

O governador também ressaltou o impacto de políticas como o Plano Amazonas 2030, que prevê desmatamento líquido zero até 2030, e o Manaus Action Plan, referência internacional para transição verde em regiões amazônicas.

*Com informações do repórter João Paulo Oliveira e Agência Amazonas

Notícias relacionadas

Ir para o conteúdo