Até o momento, 131.349 famílias foram afetadas no Amazonas, aproximadamente 525.381 pessoas impactadas diretamente pelas cheias dos rios no Estado. (Foto: Secom)

O nível do Rio Negro, em Manaus, ultrapassou na segunda-feira (30/06) a cota de inundação severa, ao atingir 29 metros e 2 centímetros, dois centímetros acima do limite definido para esse estágio. A informação foi confirmada pelo Porto de Manaus, responsável pela medição oficial.

Mesmo com a elevação diária de aproximadamente 1 centímetro, considerada alta para o período, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) descarta, até o momento, o risco de uma cheia histórica como a registrada em 2021, quando o rio alcançou a marca de 30 metros e 2 centímetros. Segundo o boletim mais recente, o comportamento do rio está dentro de um padrão de estabilidade observado em 73% dos anos monitorados.

A previsão é de que o Rio Negro oscile entre 28,56 m e 29,16 m nas próximas semanas, com probabilidade inferior a 1% de alcançar a cota máxima histórica. Apesar da estabilidade no nível em Manaus, a cheia já impacta significativamente o Estado.

Mais de 500 mil pessoas afetadas

De acordo com boletim divulgado pelo Governo do Amazonas, por meio do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, cerca de 525 mil pessoas já foram atingidas diretamente pela cheia em todo o Estado, o equivalente a 131.349 famílias. As nove calhas de rios do Amazonas seguem em processo de cheia, com picos variando entre os meses de março e julho.

Dos 62 municípios amazonenses, 40 estão em Situação de Emergência, 18 em Alerta e apenas quatro permanecem em Normalidade, segundo os decretos municipais vigentes.

Apoio humanitário e assistência nas áreas afetadas

Desde o início da Operação Cheia 2025, em 16 de abril, o Governo do Estado já enviou 580 toneladas de cestas básicas, 2.450 caixas d’água, 57 mil copos de água potável, 10 kits purificadores do programa Água Boa e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para abastecer comunidades nos municípios mais afetados, como Humaitá, Manicoré, Apuí, Borba, Anamã, Tonantins, entre outros.

Na área da educação, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) informou que 444 alunos de Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini seguem com o calendário escolar por meio do programa “Aula em Casa”, adaptado à realidade da cheia.

Já na saúde, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) mobilizou uma balsa adaptada como hospital para o município de Anamã, além de apoio do Barco Hospital São João XXIII. Também foram enviados 72 kits de medicamentos para sete municípios, beneficiando mais de 35 mil moradores. Em Manicoré, foi instalada uma nova usina de oxigênio com capacidade para produzir o dobro da anterior. A cidade de Apuí recebeu seis cilindros de reserva, medicamentos e insumos hospitalares.

A Defesa Civil do Estado reforça que o monitoramento da cheia é contínuo e realizado pelo Centro de Monitoramento e Alerta, responsável por acompanhar os níveis dos rios durante todo o ano. O objetivo é garantir respostas rápidas às populações vulneráveis e mitigar os impactos da cheia, que já marca o cotidiano de milhares de famílias no Amazonas.

 

*Com informações da repórter Érica Oliveira e Agência Amazonas

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