Estado produziu 1,3 milhão de toneladas em 2024 e beneficia mais de 17,5 mil agricultores e extrativistas, com apoio do Idam. (Fotos: Divulgação Idam)

O açaí, fruto nativo da Amazônia, ganhou reconhecimento oficial como fruta brasileira a partir da Lei nº 15.330, de 2026, publicada em 8 de janeiro. A medida reforça a soberania nacional sobre o produto e valoriza uma cadeia produtiva estratégica para o desenvolvimento sustentável da região Norte. No Amazonas, mais de 17,5 mil agricultores familiares e extrativistas atuam diretamente na produção, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).

Responsável pelas ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) pública, o Idam informa que o Estado alcançou a marca de 1,3 milhão de toneladas de açaí produzidas em 2024. O volume consolida o Amazonas como o segundo maior produtor do país.

De acordo com o técnico agrícola e coordenador do Projeto Prioritário (PP) da cadeia produtiva do açaí no Idam, Nelildo Secundino, além de fortalecer a cultura regional, o reconhecimento nacional do fruto contribui para a proteção do saber tradicional das comunidades ribeirinhas. Ele destaca que o Estado vive um momento de expansão da atividade.

“O Amazonas passa por uma transição tecnológica importante, saindo de um modelo puramente extrativista para o cultivo ordenado. Entre 2018 e 2024, a produção anual saltou de 550,8 mil para 1,3 milhão de toneladas, um crescimento de 150% impulsionado pelo Projeto Prioritário. Nesse mesmo período, a área plantada aumentou 173%, ultrapassando 11 mil hectares em 2024”, explicou.

Segundo Secundino, Codajás é considerada a capital do açaí no Amazonas, com produção reconhecida pelo Selo de Indicação Geográfica, que também abrange os municípios de Anori e Coari. Em 2024, Codajás produziu 15,12 toneladas de açaí cultivado e 13,55 toneladas de açaí nativo, beneficiando cerca de 2.450 produtores rurais.

O técnico ressaltou ainda a importância do trabalho de extensão rural desenvolvido pelo Idam para a modernização da cadeia produtiva. “A presença do Idam nos municípios é fundamental para esse avanço. Com a inclusão recente de Tefé e Anamã no Projeto Prioritário, a tendência é que essas localidades apresentem as maiores taxas de crescimento de produtividade nos próximos dois anos, com a implantação de novos viveiros e o uso de mudas selecionadas”, afirmou.

Projeto Prioritário

Coordenado pelo Idam, o Projeto Prioritário da Cadeia Produtiva do Açaí é uma iniciativa estratégica que busca transformar a produção extrativista em um modelo de negócio sustentável e altamente produtivo. Atualmente, 14 municípios integram o projeto: Codajás, Anori, Anamã, Benjamin Constant, Borba, Coari, Fonte Boa, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Rio Preto da Eva, Tapauá e Tefé.

Segundo Secundino, o projeto atua em duas frentes: o açaí nativo (Euterpe precatoria) e o açaí cultivado (Euterpe oleracea e variedades). “O açaí nativo é típico do Amazonas e possui maior teor de antocianinas, o que representa um valor nutricional superior. O foco do Idam é o manejo sustentável, orientando os ribeirinhos a realizar a limpeza dos açaizais para aumentar a produtividade sem desmatamento”, destacou.

No caso do açaí cultivado, o trabalho envolve a distribuição de sementes e mudas, com incentivo à produção agrícola sustentável e economicamente viável. “O Idam distribui mudas das variedades BRS Pará e BRS Pai d’Égua, que são precoces e, com o uso de irrigação, permitem a colheita durante a entressafra do açaí nativo. Isso garante renda contínua aos produtores”, concluiu.

 

*Com informações do Idam

Notícias relacionadas

Acessar o conteúdo