Registros aparecem nos municípios de Boca do Acre e Lábrea. Fotos: Divulgação/Valter Calheiros.

 

As marcas no solo da Amazônia estão ganhando novos significados. O Instituto Geoglifos da Amazônia apresentou, na última quinta-feira (22), no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-AM), os resultados mais recentes de uma série de pesquisas arqueológicas que revelam estruturas inéditas no Amazonas.

A iniciativa faz parte do projeto “Desvelando o Passado Profundo”, que identifica, cataloga e analisa geoglifos – desenhos geométricos escavados no solo, formados por valetas e muretas com diferentes formatos e dimensões. Até agora, mais de mil sítios arqueológicos semelhantes já foram encontrados nos estados do Acre, Rondônia e Amazonas.

O fotógrafo parintinense Valter Calheiros foi um dos convidados a sobrevoar a região de Boca do Acre no início de maio. “Parecia um sonho, mas quando a gente foi chegando lá, vimos que era muito real. É uma história que precisamos desvendar e espero que a fotografia ajude nesse momento, alertando a sociedade sobre o quanto precisamos investir nisso”, destacou.

Para o presidente do Instituto Geoglifos da Amazônia, o geógrafo e paleontólogo Alceu Ranzi, ainda há mais perguntas que respostas. “Sabemos que essas civilizações dominavam a geometria, criavam desenhos monumentais, habitaram a região por cerca de dois mil anos e depois desapareceram”, afirmou.

Hudson Santos, diretor executivo do Instituto, ressaltou a importância da educação patrimonial como caminho para o desenvolvimento regional. “Podemos criar roteiros de sobrevoo em balão, trilhas, e fomentar o turismo arqueológico com responsabilidade, respeitando as orientações do patrimônio. Isso pode fortalecer a economia da região”, pontuou.

A descoberta também mobiliza o poder público. O Instituto convocou o Iphan, as prefeituras dos municípios envolvidos e o Governo do Amazonas a somarem esforços para ampliar as pesquisas e proteger os sítios arqueológicos.

“Não é um trabalho só de arqueólogos. É multidisciplinar: engenheiros, ecólogos, arquitetos, todos podem contribuir. Sobretudo, precisamos levar educação patrimonial à população local, mostrar a importância disso para eles e os benefícios que podem surgir a partir do turismo”, completou Ranzi.

A presidente do Iphan-AM, Beatriz Calheiros, destacou a relevância do investimento em pesquisa séria e combativa à desinformação. “O mundo conhece os geoglifos de Nazca, no Peru. Agora temos a chance de mostrar ao mundo que a Amazônia também guarda uma história complexa das sociedades que habitaram aqui antes do processo de invasão”.

*Com informações do repórter Fernando Reis

 

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