O nome “Apoena”, que dá título ao Comando Conjunto da operação, vem do Tupi-Guarani e significa “aquele que vê mais longe” ou “aquele que enxerga além do horizonte”. (Fotos: Exército Brasileiro e Marinha do Brasil)

Com foco no combate ao crime organizado e à destruição ambiental, a Operação Ágata Amazônia – Apoena 2025 resultou em um prejuízo estimado em mais de R$ 225 milhões às atividades criminosas na região da Amazônia Ocidental. O balanço da força-tarefa foi apresentado nesta segunda-feira (2) pelo Comando Conjunto Apoena, formado por militares das Forças Armadas e agentes de diversos órgãos de fiscalização.

As ações integradas aconteceram ao longo de três meses e abrangeram os estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. A operação teve como alvos principais o garimpo ilegal, o tráfico de drogas, crimes ambientais e atividades ilícitas transfronteiriças.

Durante as operações, dezenas de estruturas utilizadas no garimpo ilegal foram desativadas. Além disso, drogas, ouro, embarcações, aeronaves e armamentos foram apreendidos em diferentes frentes de atuação.

Do total de R$ 225 milhões em prejuízos ao crime organizado, R$ 105 milhões correspondem à perda de lucros devido à interrupção de atividades ilegais. Os outros R$ 120 milhões são referentes aos bens e materiais apreendidos.

Entre as principais apreensões estão:

  • Mais de R$ 20 milhões em maconha tipo skunk
  • R$ 6,5 milhões em cocaína e pasta base
  • Quase R$ 92 milhões em dragas de garimpo
  • R$ 120 mil em ouro
  • R$ 348 mil em combustíveis
  • R$ 1,9 milhão em embarcações
  • Uma aeronave avaliada em R$ 750 mil
  • Além de armas e dinheiro em espécie

As ações tiveram apoio de instituições como IBAMA, Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, com logística coordenada pelas Forças Armadas. Uma operação espelhada com forças de segurança da Colômbia reforçou o combate ao narcotráfico nas regiões de fronteira, ampliando a eficácia da ofensiva.

Segundo o delegado da Polícia Federal Paulo Roberto Marques, a ação em áreas estratégicas, como o rio Japurá, identificou mais de cem dragas operando ilegalmente.

“Foi representado à Justiça Federal o pedido de busca e apreensão dessas estruturas, que valem entre dois e três milhões de reais cada. Com o aval da Justiça, cumprimos essas medidas e conseguimos desarticular parte desse esquema criminoso voltado à extração ilegal de ouro”, afirmou o delegado.

Mais do que repressão, a Operação Ágata também levou atendimento e cidadania às populações mais isoladas da floresta. Em parceria com instituições públicas e civis, foram realizados mais de 50 mil procedimentos médicos e distribuídos mais de 130 mil medicamentos a comunidades ribeirinhas e indígenas.

“A presença dessas forças entregando cidadania é fundamental. Levamos serviços de saúde, cadastros e ações sociais a regiões que muitas vezes não têm acesso a esses direitos”, destacou o vice-almirante João Alberto de Araújo Lampert, comandante do Comando Conjunto Apoena.

No total, a operação mobilizou 2.477 militares, com o suporte de 87 embarcações, 11 aeronaves, 22 viaturas e 64 agentes de órgãos parceiros. As ações tiveram como objetivo central proteger a soberania nacional, combater crimes ambientais e garantir a segurança das fronteiras amazônicas.

A Operação Ágata segue como parte de uma estratégia mais ampla de presença do Estado na região, reforçando o combate ao crime organizado e a defesa do patrimônio ambiental brasileiro.

 

Com informações do repórter Hemerson Freitas

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