Manaus (AM) – Oito policiais militares e um perito da Polícia Civil foram presos, nesta terça-feira (29/07), durante a operação Militia, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). A ação é resultado de uma investigação que apura a formação de milícia e o envolvimento de servidores da segurança pública em crimes como roubo, extorsão mediante sequestro e abordagens irregulares.
Coordenada pela 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceapsp), a operação mobilizou 150 agentes e teve apoio do Centro Operacional de Inteligência, Investigação e Combate ao Crime Organizado (Caocrimo), além das Polícias Civil e Militar do Amazonas.
Ao todo, foram cumpridos 32 mandados judiciais, sendo nove de prisão (oito preventivas e uma temporária) e 23 de busca e apreensão, com ações nas casas dos policiais e no Batalhão da Força Tática, localizado no Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), bairro Praça 14 de Janeiro, zona sul da capital.
Durante coletiva de imprensa, o promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, titular da 60ª Proceapsp, destacou o impacto das denúncias. Segundo ele, a investigação começou após o sequestro de um homem no bairro Manoa, zona norte de Manaus, em fevereiro deste ano.
“A partir desses dois fatos, conseguimos fazer o levantamento das ações e a identificação dos envolvidos. As investigações ainda continuam, com o objetivo de alcançar outros eventuais participantes dessa trama criminosa”, declarou o promotor.
De acordo com o Ministério Público, o grupo visava vítimas com envolvimento em atividades ilegais e seus familiares, a fim de obter vantagens econômicas, subtraindo objetos de valor como joias e dinheiro em espécie. A apuração também pretende rastrear os valores extorquidos — cerca de R$ 300 mil de apenas um casal — e identificar a rota dos bens para localizar outros envolvidos.
A operação resultou na apreensão de 14 pistolas, um revólver, três fuzis, um fuzil de airsoft, 653 munições, 14 celulares, três veículos e R$ 10.695 em espécie. O material bélico será periciado e integrado ao Banco Nacional de Balística para verificar possíveis conexões com crimes de homicídio.
“Estamos investigando a possibilidade de que mais pessoas tenham sido vítimas, e com a divulgação, agora, sabendo que os agentes estão presos, tenham coragem de vir denunciar ao MP outras ações desse grupo. Diariamente, o Ministério Público exerce essa atividade de controle externo da atividade policial e, em decorrência disso, conseguimos realizar essas ações de investigação e apreensão de grande quantidade de armamento”, comentou Armando Gurgel.
O promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, coordenador do Caocrimo, explicou que as ações do grupo vinham sendo monitoradas desde dezembro de 2024. Durante esse período, o MP identificou abordagens irregulares e até sequestros-relâmpago simulando blitz.
Os envolvidos foram conduzidos ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde prestaram depoimento. Em seguida, devem passar por audiência de custódia e ficar à disposição da Justiça.
O comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Klinger Paiva, afirmou que a corporação apoia a investigação do Ministério Público. “Desde o início, a PMAM tem apoiado essa ação para que tudo seja esclarecido. Esses oito policiais militares não representam seis mil homens da corporação”, afirmou.
A operação contou ainda com o suporte da Diretoria de Justiça e Disciplina da PM (DJD-PM), da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil (Core/PC), do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) e do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).
Segundo o MPAM, as investigações seguem em andamento, e novas denúncias podem fortalecer o processo de responsabilização dos envolvidos.
*Com informações do MPAM e da repórter Erica Oliveira



