Parceria entre Afya e Ufam vai resultar em cartilha sobre uso seguro dessas espécies na região

Itacoatiara, 06 de abril de 2026 – O uso de plantas medicinais, comum no dia a dia de muitas famílias amazônidas, está no centro de um projeto desenvolvido pela Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A iniciativa vai resultar na elaboração de uma cartilha com orientações sobre o uso seguro de plantas medicinais.

“A proposta é fortalecer o diálogo entre ciência e tradição, ampliando o acesso à informação e incentivando práticas seguras no uso de plantas medicinais da região amazônica”, ressalta a diretora geral da Afya de Itacoatiara, Soraia Tatikawa.

O projeto “Etnobotânico de Plantas Medicinais da região de Itacoatiara” é coordenado pela professora da Afya de Itacoatiara, Francenilda Gualberto, e envolve estudantes do curso de Medicina e pesquisadores na coleta, identificação e análise das espécies utilizadas pelas comunidades locais. O objetivo é catalogar essas plantas e descrever suas propriedades químicas e biológicas a partir do conhecimento tradicional aliado à evidência científica.

A iniciativa prevê a elaboração de uma cartilha com informações sobre as principais plantas medicinais identificadas durante a pesquisa, incluindo orientações sobre preparo, indicações e uso seguro. O material será produzido a partir do processo de catalogação das espécies realizado em parceria com a Ufam e deverá ser disponibilizado à comunidade, como forma de devolver o conhecimento sistematizado e valorizar os saberes tradicionais. “O projeto parte da escuta das comunidades e do conhecimento tradicional para, a partir disso, realizar a identificação das espécies e a análise de suas propriedades com base na literatura científica”, explica a professora.

A cartilha deve ser concluída até o mês de junho, período necessário para a identificação das espécies medicinais e o depósito do material em herbário. Após a finalização, o conteúdo será disponibilizado de forma online, por meio de grupos de WhatsApp de moradores de bairros e comunidades locais, além das redes sociais institucionais.

Segundo a coordenadora do projeto, as plantas podem oferecer benefícios importantes devido à presença de compostos bioativos com ação antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana. “Algumas espécies também apresentam efeito calmante, auxiliam na digestão e contribuem para a hidratação do organismo”, destaca. No entanto, é importante diferenciar o consumo cotidiano do uso medicinal. “Enquanto o uso no dia a dia está associado ao hábito cultural, o uso medicinal possui finalidade terapêutica e exige cuidados específicos quanto à dose, preparo e tempo de uso”, explica Francenilda Gualberto.

Uso responsável

Ela reforça que, apesar de naturais, as plantas devem ser utilizadas com cautela. “O uso medicinal das plantas precisa ser feito com responsabilidade. Elas contêm substâncias que podem ter efeitos no organismo, especialmente quando consumidas em excesso ou sem orientação adequada”, afirma.

Entre os riscos do consumo inadequado estão irritações gástricas, sobrecarga hepática e reações alérgicas. Gestantes e pessoas com doenças crônicas, como problemas renais, hepáticos ou cardiovasculares, devem ter atenção redobrada, já que algumas espécies podem agravar quadros clínicos ou interferir em tratamentos.

Ela considera que a integração entre o conhecimento tradicional e a medicina baseada em evidências tem ganhado espaço. “Hoje, existe um reconhecimento crescente da importância de integrar o saber popular com a validação científica, garantindo segurança e eficácia no uso das plantas medicinais”, ressalta a professora da Afya.

Na região amazônica, diversas espécies utilizadas tradicionalmente já apresentam respaldo científico quanto aos seus efeitos. Entre elas está o anador (Justicia pectoralis), com ação analgésica e anti-inflamatória; o boldo chinês (Plectranthus barbatus), conhecido por auxiliar na digestão; e o capim-santo (Cymbopogon citratus), que possui efeito calmante e propriedades antioxidantes.

Outras plantas bastante utilizadas são a hortelã grande (Plectranthus amboinicus) e o hortelãzinho (Mentha spp.), com ação anti-inflamatória e digestiva; a mangarataia (Zingiber officinale), com efeito anti-inflamatório e expectorante; e a pitanga (Eugenia uniflora), que apresenta potencial antioxidante e antimicrobiano.

Também fazem parte desse conjunto espécies como pobre-velho (Costus spicatus), utilizado em distúrbios urinários, e saratudo (Justicia acuminatissima), associado a processos inflamatórios e cicatrização.

A Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara atua na formação de profissionais de saúde, preparando médicos capacitados para atuar na prevenção, diagnóstico e cuidado de condições que impactam a qualidade de vida da população. O projeto também contribui para o desenvolvimento dos estudantes de Medicina, que participam diretamente das atividades de pesquisa e extensão, adquirindo competências voltadas à atenção integral e à valorização dos conhecimentos locais.

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