Rio Negro pode ultrapassar cota de inundação e mantém Amazonas em alerta para cheia
O nível do Rio Negro deve ultrapassar a cota de inundação de 27,5 metros nas próximas semanas, segundo projeções de monitoramento hidrológico. A marca é considerada de impacto moderado, mas já começa a afetar diretamente comunidades ribeirinhas em diferentes regiões do estado.
Apesar da elevação, a probabilidade de o rio atingir a cota de inundação severa, de 29 metros, é considerada baixa — cerca de 12%. Isso significa que há mais de 80% de chances de o nível não alcançar patamares críticos, como ocorreu em anos históricos de cheia, a exemplo de 2012 e 2021.

O acompanhamento é realizado em tempo real pelo Serviço Geológico do Brasil, que utiliza cerca de 110 estações distribuídas pela Bacia Amazônica para medir o volume de chuvas e o comportamento dos rios.
Segundo André Martinelli, gerente de hdrologia SGB, o cenário atual indica uma cheia dentro do padrão esperado. “A gente tende a encontrar uma cheia ordinária, dentro do esperado para a época”. No entanto, o alerta se mantém diante de possíveis variações climáticas. “O que a climatologia está apontando é um déficit de chuva. Se esse cenário trouxer uma descida mais intensa, como vimos em eventos extremos, é preciso atenção, principalmente na região de Tabatinga, porque isso pode refletir em toda a bacia”, explica.
Os impactos da cheia já são sentidos no interior do Amazonas. Atualmente, 11 municípios estão em situação de emergência, oito em estado de alerta e outros 15 em atenção, conforme dados da Defesa Civil do Amazonas.

O órgão já iniciou ações de assistência, com o envio de kits para tratamento de água potável e a divulgação de relatórios diários com análises hidrológicas. “O primeiro desastre iminente é a inundação. Algumas regiões já apontaram isso, com municípios decretando situação de emergência”, informou o Chefe Cemoa Defesa Civil – AM, Tenente Charlis Barroso.
Mesmo com a elevação gradual das águas, especialistas reforçam que o risco de uma cheia extrema ainda é baixo neste momento. A orientação é de cautela e acompanhamento constante dos próximos boletins, que devem ser divulgados no fim de abril e maio.
Por outro lado, a atenção já começa a se voltar para o segundo semestre. A continuidade do déficit de chuvas, aliada à possível atuação do fenômeno El Niño, pode provocar uma nova seca severa no Amazonas.
“Se há uma preocupação para o segundo semestre, é uma condição de atenção. Esse é o momento de acompanhar as mudanças no oceano, que devem influenciar diretamente o regime de chuvas na região”, alerta o pesquisador do INPA, Renato Senna.
Entre o avanço da cheia e o risco de estiagem nos próximos meses, o Amazonas segue em estado de atenção, reforçando a importância do monitoramento climático e de ações preventivas para reduzir impactos e proteger a população.
Matéria: Paulo Paixão
Imagens: Charles Pereira
Adaptação: João Felipe



