Uma plateia formada predominantemente por homens se manteve atenta às explicações da assistente social Jane Cristina Correa, do projeto de Fortalecimento da Garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (PFGDHAA), que utilizou vídeo para reforçar sobre a importância da vida; de estar interagindo, participando de grupos de convivência para evitar a depressão. “A maioria mora sozinha, logo, precisa desse alerta”, frisou.
O aposentado Raimundo Pereira Rios, de 65 anos, morador do bairro da União, disse que a palestra se encaixou na vida dele, que passa por problemas familiares. Pai de dois filhos, já casados, está com a esposa doente, com vários tratamentos médicos, sem ainda ter obtido êxito. “Saio para conversar, tentando não me isolar; vou a igreja e ao restaurante Prato Cidadão almoçar, de segunda a sexta, do contrário, já teria feito uma loucura”, sintetizou.
Setembro Verde – A assessora da Gerência de Ações Descentralizadas de Segurança Alimentar e Nutricional (Gadsan/Seas), Thamires Cortez, focou sua ação conscientizando o grupo sobre a importância da doação de órgãos, que pode ser realizado em vida e após a morte, desde que tenha o aval da família.
Por conta da pandemia do Covid-19, ela disse que o Amazonas teve uma baixa de 24% no transplante de órgãos nesse período, porque muitas pessoas estão evitando realizar procedimentos médicos para retirada de órgãos. “Enquanto isso, a fila de espera não para de crescer. São mais de 35 mil pessoas no país à espera de um transplante”, frisou.
Wilson Menezes, 76, morador do V8, após participar da palestra, considerou importante a doação por entender que pode ajudar a salvar uma vida. “Por mim, doaria tudo, se minha família concordar”, mencionou, ressaltando ser separado da esposa e pai de cinco filhos todos adultos. É frequentador assíduo do Prato Cidadão.
Orientações – As visitas educativas nos equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional (restaurantes e cozinhas populares) estão sendo realizadas semanalmente, neste mês de setembro, com a presença de profissionais da assistência social e nutricionistas, no horário das 8h30 às 11h. Ao todo, são sete equipamentos, sendo quatro restaurantes e três cozinhas. O público-alvo são os usuários desse serviço e as empresas contratadas para fazer o alimento.
As ações de assistência social estão seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Com isso, estamos obedecendo às normas vigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, disse a chefe da Gadsan, Kaliny Alves, que integra o Departamento de Proteção Social Básica (DPSB) da Seas.
Segurança alimentar – De acordo com a nutricionista, a política de segurança alimentar não é apenas a oferta de alimentos, mas envolve também o acolhimento, fortalecimento de vínculo, a identificação de quadro de vulnerabilidade social por meio da política de assistência social.
O supervisor do restaurante Prato Cidadão do Centro, Marcio Gonçalves, disse que esse tipo de programação é sempre bem-vinda, porque permite um melhor acolhimento dos frequentadores. “A grande maioria vive em situação de vulnerabilidade, logo, não têm esse conhecimento e busca aqui se informar, tanto é que a participação deles nas palestras e muito grande. A gente tem que limitar para evitar a aglomeração”, sintetizou.
As cozinhas, funcionam de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 16h; aos sábados, das 8h às 13h, servem sopas patrocinadas pelo governo estadual.

FOTOS: Kerolyn Leigue



