Durante todo o mês, a Central de Transplantes do Amazonas realizou a campanha “Setembro Verde” voltada para a sensibilização da sociedade a respeito da comunicação, em vida, do desejo de doar os órgãos.
Entre os dias 21 e 25 de setembro, atividades de sensibilização com palestras, panfletagem, atividade musical e sorteio de brindes entre pacientes e acompanhantes, além da entrega de cartas de agradecimento às famílias de doadores, foram realizadas no Hospital Francisca Mendes, na Fundação Hospital Adriano Jorge e nos Hospitais e Prontos-Socorros João Lúcio, Platão Araújo e 28 de Agosto.
Alta recusa – No Amazonas, um dos motivos para a recusa da família em realizar a doação é a falta de confirmação, em vida, do potencial doador. De acordo com a Central de Transplantes, 69% das famílias negam a doação por desconhecer a vontade do parente em relação ao assunto.
No HPS Platão Araújo, quase 100% das coletas são de córneas (tecidos) doadas por pacientes vítimas de traumas. Porém, em média, 30% das famílias abordadas pela equipe do Serviço Social do hospital não autorizam a doação.
De acordo com o coordenador da Central de Transplantes do Amazonas, Marcos Lins, é necessário fortalecer junto à sociedade a importância de comunicar à família sobre o desejo de ser um doador. “Há muita desinformação sobre a doação de órgãos, muitas vidas deixam de ser salvas por desconhecimento. Muitas famílias dizem não por não saberem a vontade do paciente”, relata.
Doações no estado – Em 2019, foram realizados 153 transplantes de córnea no Amazonas. Já em 2020, foram feitos 38 transplantes. A queda no número de transplantes foi ocasionada pela pandemia de Covid-19.
Os transplantes de córnea foram interrompidos pelo risco de contaminação dos pacientes e também dos profissionais. Antes dos procedimentos serem paralisados, foi feito um estoque de córneas para transplante de urgência.
Mesmo com a interrupção dos procedimentos, a captação de órgãos (fígado e rim) se manteve estável no primeiro semestre de 2020, em comparação ao ano anterior. Em 2019, foram realizadas 24 captações de rins. Em 2020, apenas nos primeiros meses do ano, a Central de Transplantes conseguiu captar oito fígados e 20 rins, doados para pacientes que aguardavam na fila nacional de transplantes.
Fila de espera – O estado do Amazonas realiza apenas transplantes de córneas e não há fila de espera. Há também a captação para transplante de rim e fígado.
Os pacientes que precisam de transplantes de outros tipos de órgãos e tecidos, que não córneas, realizam o procedimento em outros estados por meio do processo de TFD (Tratamento Fora de Domicílio) e aguardam em fila geral do Ministério da Saúde.
Captação desde 2011 – As doações de órgãos, a partir de doadores falecidos no Amazonas, iniciaram em 2011. Desde então, foram captados 306 rins e 40 fígados. Já as captações de córneas (tecidos) iniciaram em 2004, totalizando até o momento 3.818 doações.
Os órgãos doados no Amazonas são ofertados para a Central Nacional de Transplantes (CNT), órgão que fica em Brasília e é responsável por localizar um receptor em um ranking nacional. Uma vez feita essa identificação, o órgão é enviado para o estado onde se encontra o receptor.
A compatibilidade entre doador e receptor é determinada por exames laboratoriais e a posição em lista é determinada com base em critérios como tempo de espera e urgência do procedimento.
O que é um transplante de órgão? – O transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão

Fotos: Rodrigo Santos/SES-AM



