A recomendação mais consistente é investir em rotina de sono regular, alimentação equilibrada, atividade física moderada, hidratação, proteção solar e estratégias de redução do estresse. (Imagem: Reprodução Internet)

Olheiras, pele sem viço, linhas finas e rosto abatido costumam ser associados apenas a noites mal dormidas. Mas a ciência tem mostrado que a aparência de cansaço também pode estar ligada a um processo mais profundo: a resposta do organismo ao estresse crônico. Um estudo publicado no Journal of Cosmetic Dermatology, assinado por Muriel Pujos e colaboradores, investigou como o estresse psicológico moderado e persistente pode afetar a pele e acelerar sinais de envelhecimento cutâneo.

A pesquisa, intitulada Impact of Chronic Moderate Psychological Stress on Skin Aging, analisou os efeitos do estresse psicológico sobre células da pele e observou que hormônios liberados em situações de estresse, como o cortisol e a epinefrina, podem interferir em funções importantes da pele. Em testes celulares, os pesquisadores avaliaram o impacto do cortisol na matriz extracelular, na produção de colágeno, na função de queratinócitos e fibroblastos, na barreira cutânea e em processos de reparação. A redução da qualidade estrutural da pele ajuda a explicar por que pessoas submetidas a estresse constante podem apresentar aparência mais envelhecida, cansada e menos saudável.

Embora o estudo de Pujos não tenha avaliado diretamente olheiras, ele reforça um mecanismo importante: o cortisol, quando associado ao estresse crônico, pode prejudicar a integridade da pele. Já pesquisas sobre privação de sono mostram que dormir mal altera sinais visíveis do rosto, como pálpebras caídas, olhos inchados, olheiras mais escuras, pele mais pálida, aumento de linhas finas e expressão facial mais abatida. Ou seja, a aparência de cansaço parece surgir da combinação entre estresse, sono ruim, alterações hormonais e perda de qualidade da pele.

Especialistas, no entanto, alertam que não se deve simplificar o tema com a ideia de que todo rosto cansado é sinal de “cortisol alto”. Olheiras podem ter diversas causas, incluindo genética, alergias, retenção de líquido, desidratação, exposição solar, noites mal dormidas, excesso de sal, consumo de álcool, anemia e alterações hormonais. O cortisol entra nessa equação como um dos possíveis fatores, especialmente quando há estresse prolongado, sono irregular e hábitos de vida desequilibrados.

A boa notícia é que outros estudos indicam que mudanças no estilo de vida podem ajudar a regular a resposta do organismo ao estresse. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2022 apontou que a prática regular de atividade física pode reduzir níveis de cortisol e melhorar a qualidade do sono em adultos. O sono adequado também é fundamental: pesquisas mostram que a privação de sono pode elevar o cortisol e bagunçar seu ritmo natural ao longo do dia.

A alimentação também aparece como aliada. Estudos sobre padrões alimentares, como a dieta mediterrânea e dietas ricas em ômega-3, fibras, frutas, verduras, legumes, peixes, castanhas e alimentos pouco processados, sugerem benefícios sobre inflamação, resposta ao estresse e equilíbrio metabólico. Por outro lado, dietas muito restritivas, excesso de cafeína, ultraprocessados, álcool e sono ruim podem contribuir para uma resposta hormonal mais desregulada.

Na prática, a aparência da pele não depende apenas de cremes ou procedimentos estéticos. Ela reflete uma combinação de fatores internos e externos: sono, alimentação, exercício, hidratação, saúde emocional, exposição solar e controle do estresse. O estudo de Pujos reforça que o estresse crônico não afeta apenas a mente; ele também pode deixar marcas visíveis na pele.

Por isso, cuidar da aparência de cansaço exige mais do que tentar esconder olheiras. A recomendação mais consistente é investir em rotina de sono regular, alimentação equilibrada, atividade física moderada, hidratação, proteção solar e estratégias de redução do estresse. Quando há sinais persistentes, como cansaço extremo, inchaço facial, ganho de peso abdominal, fraqueza muscular, pressão alta ou alterações importantes na pele, a orientação é procurar avaliação médica para investigar causas hormonais ou metabólicas.

Fonte: Journal of Cosmetic Dermatology; PubMed; Scientific Reports; Psychoneuroendocrinology; Sleep; estudos citados sobre estresse, cortisol, sono, exercício físico e envelhecimento da pele.

Texto: Welder Alves

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