Se você é da geração que esperava o momento exato para apertar o REC do gravador de fita cassete, corria para o orelhão do bairro tentando entrar ao vivo no programa e passava horas ouvindo traduções de músicas internacionais no rádio, então prepare-se para um reencontro com a memória afetiva de uma época. Um reencontro com a voz de F. Cavalcante.

A partir de agora, um dos maiores nomes da história do rádio amazonense passa a integrar o time de locutores da Rádio Encontro das Águas. Aos 80 anos, Francisco Cavalcante — ou simplesmente F. Cavalcante — segue ativo, apaixonado pelo rádio e levando ao público o mesmo estilo marcante que atravessou décadas.

Na emissora pública do Amazonas, ele apresenta de segunda a quinta-feira, às 21h, o clássico “For Making Love”; às sextas-feiras, também às 21h, o “Carrossel da Saudade”; e aos sábados, às 9h da manhã, o lendário “E… Éramos Todos Jovens”.

Nascido em Manaus, em 23 de fevereiro de 1946, F. Cavalcante iniciou sua trajetória no rádio em 1969, na antiga Rádio Baré. Dois anos depois, em agosto de 1971, chegou à Rádio Difusora do Amazonas, onde consolidaria uma das carreiras mais emblemáticas da comunicação amazonense.

Com sua voz grave — marca registrada — e uma personalidade irreverente, tornou-se referência ao apresentar sucessos internacionais, os famosos “hits” e o chamado “rock pauleira”. Inspirado pelo espírito libertário da geração hippie, pela era de Aquarius e pelo estilo vibrante de comunicadores como Big Boy e Chacrinha, F. Cavalcante criou uma linguagem própria no rádio amazonense.

“Eu era um rocker man, sempre fui um roqueiro lindo, lindo, doido, doido”, relembra o locutor, ao recordar os anos dourados da radiodifusão amazonense.

Em 1980, lançou “E… Éramos Todos Jovens”, programa que rapidamente se transformou em fenômeno de audiência. Embalado por músicas românticas nacionais e internacionais, o programa virou trilha sonora dos bailes, clubes e festas da época. As chamadas “modinhas” selecionadas por F. Cavalcante ajudaram a construir romances e marcaram a juventude de toda uma geração.

Cinco anos depois, em 1985, criou outro sucesso histórico: “For Making Love”. O programa se tornou líder absoluto no horário e virou febre em Manaus. Era comum encontrar lojas com sistemas de som “até o toco” transmitindo o programa enquanto ouvintes gravavam, em fitas cassete, as traduções das músicas internacionais feitas ao vivo pelo radialista.

Ao longo da carreira, F. Cavalcante também atuou como diretor de produção e programação da extinta Você FM, retornando posteriormente à Rádio Difusora, onde permaneceu como uma das vozes mais reconhecidas do rádio amazonense.

Agora, a convite do presidente do Sistema Encontro das Águas, Oswaldo Lopes, F. Cavalcante passa a fazer parte da programação da Rádio Encontro das Águas, reforçando o compromisso da emissora pública com a valorização da memória, da cultura popular e dos grandes nomes da comunicação do Amazonas.

Para Oswaldo Lopes, a chegada do comunicador representa um momento histórico para a emissora pública.

“A Rádio Encontro das Águas é um celeiro de grandes nomes da comunicação amazonense, mas também de novos talentos que surgem todos os dias. E o F. Cavalcante chega justamente em um momento muito especial da nossa emissora para abrilhantar ainda mais as noites do rádio público com sua voz, sua personalidade e sua história. Logo na estreia, a audiência absoluta já demonstrou a força do legado que ele construiu ao longo de décadas no rádio amazonense”, destacou.

O presidente também ressaltou que preservar a memória do rádio é uma das missões da emissora.

“O F. Cavalcante não representa apenas um comunicador de sucesso. Ele representa uma geração inteira que aprendeu a amar o rádio. E esse legado nós queremos manter vivo por meio da marca Encontro das Águas, que construiu um rádio que fala, mas principalmente que ouve os ouvintes. Isso combina perfeitamente com a essência do F. Cavalcante”, afirmou.

Entre Beatles, Elvis Presley, Rolling Stones, Johnny Mathis, Diana Ross e os grandes bailes românticos que marcaram Manaus, F. Cavalcante construiu mais do que programas de rádio: construiu memórias afetivas.

“Amar demais”, como ele sempre dizia, talvez tenha sido justamente isso: transformar o rádio em companhia, poesia e trilha sonora da vida de milhares de amazonenses.

E para quem cresceu ouvindo aquela voz atravessando as noites de Manaus, fica o convite: aumente o volume, porque o som e o sonho de uma geração estão de volta ao dial.

Texto: Welder Alves

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